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domingo, 17 de março de 2013
sábado, 16 de março de 2013
EU QUERIA APENAS - Viver na realidade que Dimas Macedo nos provoca em seus poemas - Fátima Lemos
Eu queria apenas
Retirar girassóis do quadro
de Van Gogh
Observar a simetria das
cores
Alcançar os sinos de
Nazaré.
Eu queria apenas
Tocar o céu hermoso
E contemplar as estrelas.
Eu queria apenas
Abrir a porta do meu peito
Sentir-me no paraíso do
amor
E deixar marcas
Por entre neves.
Eu queria apenas
Fazer soar o bandolim
Com cordas afinadas
E dançar com a alma
Tangos de Gardel.
Eu queria apenas
Sob as luzes de Castelos
Medievais
Ouvir o ressoar dos sinos
E repaginar sonhos.
Eu queria apenas
Por entre as cordilheiras
Poder recitar em voz alta:
“Não te amo como se fosse
rosa de sal,
topázio ou flecha de cravos
que propagam o fogo;
te amo secretamente, entre a sombra e a alma”.
te amo secretamente, entre a sombra e a alma”.
Eu queria apenas
Brindar com taças de cristal
O vinho que traz consigo
O aroma do nosso amor.
Eu queria apenas
Aquecer os meus lábios
Na brisa do Tejo
Sob o calor do teu corpo.
Eu queria apenas
Compreender Guadalupe
Como inspiração à
liberdade.
ZITO LOBO E DIMAS MACEDO: DOIS HOMENS, DOIS AMORES, DOIS POETAS - Linda Lemos Bezerra
![]() |
| Zito Lobo |
![]() |
| Dimas Macedo |
Dois
homens que deixaram rastros por onde passaram. Suas histórias se confundem e
são dignas de serem lembradas. Se ninguém vale pelo que sabe, mas pelo que faz
com aquilo que sabe, eles são exemplos. Amantes de suas raízes cearenses, eles nasceram na velha
Princesa do Salgado, nas
terras banhadas pelas águas que correm para o Boqueirão, abraçadas com as águas do Riacho do Machado. O Sítio Calabaço foi o primeiro abrigo de José Zito
de Macedo (Zito Lobo), que nasceu aos 29 de novembro de 1922, e do seu filho
Dimas Macedo, que veio três décadas depois, aos 14 de setembro de 1956.
Os dois identificam-se fortemente com a vida
no campo. Tranquilos, serenos, sem ambição e destemidos. Seus valores somente
os compreendem os conhecedores das leis do sertão: respeito à natureza, justiça
social, dignidade e muito trabalho. “A simplicidade da expressão gestual
discreta e cativante, de característica marcadamente paternal e afetiva” caracteriza
Zito Lobo, “modelo de pai e de amigo, e de esposo
fiel e generoso, sendo esteio de amparo e proteção para toda a família”,
segundo Dimas Macedo; porque Zito Lobo foi testemunho de
amor, carinho, dedicação, zelo pela família, pelo povo, pelas lideranças de
pastorais e movimentos por ele organizados, firmes e radicados na palavra e na
fé em Deus.
“Quando se refere à literatura, Dimas Macedo declara
sobre o poeta Zito Lobo: “Mesmo acompanhando de perto, durante algum tempo, a
sua dedicação à vida literária, jamais me acorreu a ideia de que, no final dos
seus dias, a sua criação viesse a assumir tamanha gravidade, e de que o seu
espólio de poeta estivesse praticamente pronto para o prelo”.
“Sabia
ele, no entanto, do significado e do valor que permeavam a tessitura dos seus
versos, e sabia, mais do que isso, que eu jamais me furtaria ao compromisso que
um dia lhe fizera de publicar
uma seleção dos seus poemas”.
“Dessa
circunstância é que nasceu a edição de Trovas
e Poemas (Fortaleza, Editora Oficina, 1990; 2ª edição: Fortaleza, Edições Poetaria,
2011), volume no qual decidi reunir, de forma rigorosa, os seus poemas
produzidos após a morte da minha mãe, Maria Eliete de Macedo, aos 10 de outubro
de 1975”.
“Da
emoção e do enlevo que sempre costuraram as suas atitudes, ele não se furtou de
falar ao silêncio da sua escritura literária, tecendo trovas, poemas e sonetos
temperados pela coloração das lembranças e das recordações; e poemas que
despertaram a atenção de escritores do porte de Joaryvar Macedo (de quem era
irmão unilateral) e José Alcides Pinto, que escreveram, efusivamente, sobre a
sua obra literária”.
Mas quem sou eu para
falar de poesia? Não se pode negar, entretanto, as evidências. Os dois poetas
se confundem em suas ideias. Semelhanças essenciais entre a sensibilidade e
inteligência aproximam Zito Lobo e Dimas Macedo. Eles fazem lembrar Fernando
Pessoa e Luís de Camões, naquilo que se refere à consciência do valor da
poesia. É comum a Pessoa e a Camões a afirmação do valor supremo da poesia.
Camões sabe que só o canto dos poetas transforma os homens em seres imortais
(só o poeta nos liberta da lei do esquecimento). Pessoa sabe que só a criação
de mitos (tarefa do poeta) assegura a vitalidade da Pátria, porque a poesia é o
Império vivo. E nesse sentido, Lavras da Mangabeira e Portugal se confundem
quando falamos de poesia.
Ressalte-se que quando se trata de literatura, Dimas
Macedo torna-se grande. Iniciou os estudos em sua terra natal, até chegar a Fortaleza,
onde se bacharelou em Direito, em 1981. Exerceu, na juventude, as funções de
jornalista, optando, posteriormente, pela carreira de escritor e de jurista.
Dimas é crítico literário, poeta, ensaísta e historiador, Professor da Universidade
Federal do Ceará, membro da Academia Cearense de Letras e da Academia de
Letras e Artes do Nordeste e autor dos livros de poemas: A Distância de Todas as Coisas (1980,
3ª ed. 2001), Lavoura Úmida (1990, 3ª
ed. 2010), Estrela de Pedra (1994, 2a
ed. 2005), Liturgia do Caos
(1996), Vozes do Silêncio (2003) e Sintaxe do Desejo (2006). No campo da
crítica ou do ensaio, são de sua autoria:
Leitura e Conjuntura (1984, 3a ed. 2004), A Metáfora do Sol (1989, 3ª ed. 2003), Ossos do Ofício (1992), Crítica
Imperfeita (2001), Crítica Dispersa
(2003), Ensaios e Perfis (2004) e A Letra e o Discurso (2006).
A religiosidade e o misticismo
são características marcantes, comprovadas no amor que pai e filho devotam ao Criador.
“Sou
um homem fascinado por Deus e vocacionado para Deus. Não tenho receio algum em
proclamar o meu amor a Deus e viver a minha vida para Deus. A minha primeira
essência é a mística. A poesia vem em segundo. E a filosofia em terceiro. Mas a
literatura é o linho e a linha que me foram dados para interpretar o mundo e
para viver no limite de todas as coisas”, registra Dimas Macedo.
Ambos conseguem realizar, sem necessariamente fazer parte do grupo dos "mestres da suspeita", alvo de intensa crítica nos seus
ideais, nas suas esperanças e nas suas grandes realizações históricas.
Quanto a Zito Lobo transferiu-se
para Fortaleza, em 1975, fixou residência no Bairro da Piedade, onde se tornou
figura popular. Com sua religiosidade em evidência, atuou como Cooperador
Salesiano junto à Paróquia da Piedade, ali integrando a Associação do Sagrado
Coração e a Associação de Nossa Senhora Auxiliadora, desempenhando funções de
direção junto à Associação dos Merceeiros do Ceará e ao Círculo Operário dos
Trabalhadores Cristãos – núcleo regional do Bairro da Piedade.
Na língua portuguesa, pai, proveniente do latim pater, também
interpretado como pátre, patris, possui vínculos com a palavra padre, tendo ramos e
origens semelhantes, a partir do costume de se chamar o clérigo de pai.
Comumente, o termo patre assume um
cunho religioso, proveniente da igreja cristã
e da judaica,
sendo um dos epítetos de Deus. Também é a primeira pessoa da Santíssima Trindade, paixão desmedida entre pai
e filho.
Afora a militância de ordem literária e religiosa,
Zito Lobo ostenta trajetória de vida com participação e desejo de realização do
social. Em Lavras, torna-se um dos fundadores do Círculo
Operário dos Trabalhadores Cristãos, de cujo núcleo regional foi Presidente. Foi
um dos fundadores do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, sendo um dos
instituidores, na gestão em que foi Tesoureiro de referido Sindicato, da
Cooperativa dos Trabalhadores Rurais de Lavras da Mangabeira, que igualmente
dirigiu, ostentando sempre sua liderança carismática.
Descendente dos desbravadores que
construíram a civilização do Cariri, filho de Maria de Aquino Macedo e de Antônio Lobo de Macedo (Lobo
Manso), uma das legendas da poesia popular do Ceará, José Zito de Macedo (Zito
Lobo) é hoje nome de Rua em Fortaleza e em sua cidade natal, num reconhecimento
aos seus melhores atributos.
Zito Lobo e Dimas Macedo, dois amores, queridíssimos pelos amigos,
duas vidas dedicadas à família. Felizes, cheios de planos, ideais, sonhos, pai
e filho caminham em direção à felicidade, à esperança e à alegria que fazem parte
dos sentimentos multiplicados. Não há divisão entre eles quanto ao amor
dedicado a familiares e amigos. Juntos, felizes, cheios de vida. Um só coração.
Uma só alma. Num dia, o primeiro deles resolveu pegar um atalho e, no atalho, a
vida nunca mais foi a mesma. Algo se quebrou no tempo e a esperança se foi, permanecendo
apenas o amor que não se cansa da solidão entre duas vidas.
Todos os anos, em pelo menos treze
países, é celebrado o Dia dos Pais. A comemoração teve origem nos Estados
Unidos, em 1910,
e partiu da ideia de Sonora Louise Smart Dodd. A data foi oficializada pelo presidente Richard Nixon,
em 1972, como sendo no terceiro domingo de junho. A data, porém, varia de país
para país, tendo a maioria adotado o mês de junho. No Brasil, o mês é agosto.
Dimas escolheu os noventa anos de Zito para celebrar o dia dos pais, o dia do
pai venerado, falecido
em Fortaleza, aos 24 de março de 1987.
LAVRAS DA MANGABEIRA CONTA SUA HISTÓRIA - Dimas Macedo
Lavras da Mangabeira é um dos municípios do
Nordeste cuja história vem sendo estudada com dedicação, apesar dos golpes
contra a sua memória e a sua identidade. O interesse por seus personagens e
pela sua saga cultural e política mostra-nos que entre o bacamarte e a caneta uma
civilização foi erguida no Sul do Ceará.
O nome de Joaryvar Macedo não pode
ser esquecido como ponto de partida dos estudos históricos desse município, e
acredito que aquilo que fiz em torno do assunto também será lembrado pelos
historiadores do futuro.
Luíza Correia Lima, com o seu
jeito memorialístico de contar-nos a sua versão, igualmente deve ser lembrada,
especialmente pelos seus livros de caráter didático e pela sua memorável
biografia: Padre Alzir Sampaio – Um Gigante
da Fé (Fortaleza, 2013).
Rejane Augusto, a autora de História Eclesiástica de Lavras da
Mangabeira (Fortaleza, 2013), tem uma produção já bastante extensa sobre a
sua terra, e sobre as vidas de alguns lavrenses, destacando-se, entre eles,
Dona Fideralina e o coronel João Augusto, avô, este último, do prefeito atual
daquele município.
Mas o
que está em jogo, neste ano de 2013, é a história da Paróquia de São Vicente Ferrer,
pertencente àquela localidade, criada aos 30 de agosto de 1813, e que teve um
lavrense como seu primeiro vigário, o Padre José Joaquim Xavier Sobreira.
Dos
primórdios aos dias de hoje, a vida eclesiástica de Lavras passou por
vicissitudes que modelaram o seu jeito ser: uma paróquia aberta para a eclesia,
os dons espirituais e o zelo apostólico de muitos dos seus sacerdotes, cabendo
destacar, entre eles, o Monsenhor Meceno Linhares, o Padre Raimundo Augusto
Bezerra (Padre Mundoca) e o seu vigário atual, o Padre Benedito Evaldo Alves.
Entre os anos de 1938 e 1971, a Paróquia de
Lavras da Mangabeira conheceu o seu esplendor, tendo-se presente a atuação
apostólica e o espírito de empreendimento, educacional e social, do Padre Alzir
Sampaio, o mais virtuoso e o mais dinâmico de todos os seus sacerdotes.
O livro
de Rejane Augusto – História Eclesiástica
de Lavras da Mangabeira –
constitui, antes de tudo, um testemunho de fé da autora diante da história da comunidade
eclesial a que pertence, por graça dos dons naturais.
Rejane
Monteiro Augusto Gonçalves é uma historiadora cuidadosa, que sabe vascular com
desvelo as fontes de pesquisa, e juntar os fios do seu texto com muita clareza
e segurança, de forma que o seu livro dispensa, com certeza, qualquer forma de
apresentação.
O POETA JOSÉ CORIOLANO - Júnior Bonfim
![]() |
| Faculdade de Direito do Recife. |
Faculdade
de Direito do Recife. Prédio lendário, desenho imperial, arquitetura solene,
postura memorial, arquivo incomensurável, atmosfera histórica. Os jardins que
circundam aquele edifício memorável exibem bustos de nomes famosos – como Rui
Barbosa e Castro Alves – que salpicaram de estrelas as folhas cadentes da
literatura nacional.
Piso os pés no envolvente silêncio que
domina aquele tablado clássico. Interrogo uma servidora se poderia me prestar
informações sobre um ex-aluno da Instituição. Ela responde afirmativamente e,
na mesma pisada, indaga qual o período em que estudou e o nome completo desse
ex-aluno. Respondo que se trata de José Coriolano de Sousa Lima e que foi aluno
nos idos de 1850. Depois de pesquisar, ela me afirma que o nome do autor de O Touro Fusco e Impressões e Gemidos
consta na relação de bacharéis em direito que se perfilaram como concludentes
no ano de 1859.
Admirador contumaz do meteórico e
insuperável poeta de Crateús, saí dali com minha taxa de estima ainda mais
inflada por esse ser constelado. José Coriolano, que deixou a existência
terrena dez anos após concluir o curso de direito, em apenas uma década fincou
mourões indeléveis. Construiu uma rampa de madeira imorredoura. Acessou o
portal da glória. Conheceu a copa do sucesso e nos distinguiu com um legado
luminoso que o redemoinho dos anos não conseguiu apagar.
Com atuação destacada no Maranhão e
no Piauí, percorreu o leito da história como Magistrado de escol, Jornalista de
renome, Político ilustrado e Poeta insuperável. Juiz de Direito em várias
freguesias, sua pena de Jornalista passeou ativamente nos vales da linotipia da
imprensa no Recife e Teresina. Foi deputado provincial pelo Piauí, por duas
legislaturas, e presidente da Assembleia Legislativa (pois, à época em que
viveu, Crateús pertencia ao Piauí). Aclamado Príncipe dos Poetas Piauienses, é
considerado o talhador da pedra fundacional da literatura Piauiense.
José Coriolano é a comprovação
inequívoca de que a distribuição dos dons Celestes não segue a perversa lógica
mercantilista. Enquanto o poder econômico é atraído pelo magnetismo da
concentração do capital e brota, via de regra, nos grandes centros de exibição
da riqueza, a gratuidade divina escolhe os estábulos e as manjedouras mais
inesperadas para parir os seus rebentos. O primado da inteligência - produto da
mão que gera o imprevisível, dádiva do Ser Superior – lateja em solos
inimagináveis. Germina nas capoeiras mais desprezadas. No tempo de Jesus, os
doutores da Lei se questionavam como Nazaré, uma região sobre a qual pairava a
nuvem do preconceito, era capaz de gerar um Profeta! Logo aquele Jovem
questionador, que era filho de um carpinteiro!...
José Coriolano é a materialização
inconteste dessa assertiva bíblica. Nascido entre as babugens destes solitários
torrões, na fazenda Boa Vista, quando Crateús era conhecida por Vila Príncipe
Imperial, resplandeceu nos cerimoniosos espaços em que pontificavam os
luminares da cultura nacional.
Coriolano foi um fidalgo das letras
que construiu uma obra impagável e inapagável de devoção às maravilhas Divinas,
de paixão pela Natureza e por todos os animais, de modelar sintonia com a
mulher amada, de culto aos altos valores da Justiça e da Liberdade! Seu busto,
reexposto em praça pública, é uma doce provocação à nossa massa encefálica:
estudemos sua trajetória, miremos seu exemplo!
domingo, 10 de março de 2013
LAVRAS DA MANGABEIRA - Joaryvar Macedo.
sábado, 9 de março de 2013
PADRE ALZIR SAMPAIO - DIMAS MACEDO
Um dos traços essenciais que trago da infância
é a presença do Padre Alzir Sampaio em minha vida, a começar pelo fato de ser
ele o meu padrinho de batismo, ao lado da sua irmã, a professora Lourdes
Sampaio. Guardo esse signo como se fosse um estigma a remarcar a minha
trajetória.
A religiosidade dos meus pais,
junto à Paróquia de São Vicente Ferrer, em Lavras da Mangabeira (CE),
facilitava a minha comunhão com o carisma desse sacerdote, e com o seu jeito de
ser e ensinar, pois a todos ele se impunha qual o guardião da fé e o educador
sutil e exemplar.
Dele recebi o batismo e a primeira
comunhão, e foi ele quem me preparou para a crisma e para os dons que o
Espírito continua semeando em minha vida. Ter sido seu coroinha, em atos
litúrgicos da Igreja de Lavras, é algo que muito se distingue na minha
formação, pois justamente aí está a raiz da minha obediência e o respeito que
tenho pela Igreja Católica.
Ainda quando estudante de Direito, nos idos de 1979, encetei uma
campanha, plenamente coroada de êxitos, para a criação, em Lavras da
Mangabeira, da Biblioteca Padre Alzir Sampaio, inaugurada pelo Secretário de
Educação do Estado, Antônio Albuquerque de Sousa Filho; e na edição de setembro
daquele ano, no jornalzinho – O Boqueirão
–, publiquei o artigo – Padre Alzir
Sampaio: Um Guardião da Fé.
Fiz, portanto, o mínimo que era possível fazer
pela sua memória, porque imenso é o seu legado, porque firme é a marca da sua
atuação no plano social e educacional, porque grandiosa é sua fé, porque eterna
será a sua presença na memória de muitos lavrenses.
Esse grande arauto de Deus e da Igreja nasceu
para servir; veio ao mundo para combater o mal e para edificar a fé no meio da
razão; e é por isso que a sua obra continua plena e brilhante para todos nós.
Com o livro – Padre Alzir Sampaio: Um Gigante da Fé (Fortaleza, 2013) –, a escritora Luiza Correia Lima
mostra-nos o zelo com que escreveu a biografia desse sacerdote, resgatando
fatos da maior repercussão, pertinentes à sua atuação, na Paróquia de São
Vicente Ferrer.
Autora de dois projetos de pesquisa sobre a
sua terra: Lavras – Ontem e Hoje
(1984) e Na Terra no Boqueirão
(1994), Luiza Correia Lima é historiadora cuja obra devemos sempre consultar.
Neste ano de 2013, no qual a Paróquia de
Lavras completa os seus duzentos anos, Luiza Correia Lima também não deixa por
menos, legando-nos esse livro de cunho singular, porque fundamentado na fé e
elaborado a partir das luzes da razão.
HISTÓRIA DA PARÓQUIA DE LAVRAS - DIMAS MACEDO
Lavras da Mangabeira é um dos municípios do
Nordeste cuja história vem sendo estudada com dedicação, apesar dos golpes
contra a sua memória e a sua identidade. O interesse por seus personagens e
pela sua saga cultural e política mostra-nos que entre o bacamarte e a caneta uma
civilização foi erguida no Sul do Ceará.
O nome de Joaryvar Macedo não pode
ser esquecido como ponto de partida dos estudos históricos desse município, e
acredito que aquilo que fiz em torno do assunto também será lembrado pelos
historiadores do futuro.
Luiza Correia Lima, com o seu
jeito memorialístico de contar-nos a sua versão, igualmente deve ser lembrada,
especialmente pelos seus livros de caráter didático e pela sua memorável
biografia: Padre Alzir Sampaio – Um Gigante
da Fé (Fortaleza, 2013).
Rejane Augusto, a autora de História Eclesiástica de Lavras da
Mangabeira (Fortaleza, 2013), tem uma produção já bastante extensa sobre a
sua terra, e sobre as vidas de alguns lavrenses, destacando-se, entre eles,
Dona Fideralina e o coronel João Augusto, avô, este último, do prefeito atual
daquele município.
Mas o
que está em jogo, neste ano de 2013, é a história da Paróquia de São Vicente Ferrer,
pertencente àquela localidade, criada aos 30 de agosto de 1813, e que teve um
lavrense como seu primeiro vigário, o Padre José Joaquim Xavier Sobreira.
Dos
primórdios aos dias de hoje, a vida eclesiástica de Lavras passou por
vicissitudes que modelaram o seu jeito ser: uma paróquia aberta para a eclesia,
os dons espirituais e o zelo apostólico de muitos dos seus sacerdotes, cabendo
destacar, entre eles, o Monsenhor Meceno Linhares, o Padre Raimundo Augusto
Bezerra (Padre Mundoca) e o seu vigário atual, o Padre Benedito Evaldo Alves.
Entre os anos de 1938 e 1971, a Paróquia de
Lavras da Mangabeira conheceu o seu esplendor, tendo-se presente a atuação
apostólica e o espírito de empreendimento, educacional e social, do Padre Alzir
Sampaio, o mais virtuoso e o mais dinâmico de todos os seus sacerdotes.
O livro
de Rejane Augusto – História Eclesiástica
de Lavras da Mangabeira –
constitui, antes de tudo, um testemunho de fé da autora diante da história da comunidade
eclesial a que pertence, por graça dos dons naturais.
Rejane
Monteiro Augusto Gonçalves é uma historiadora cuidadosa, que sabe vascular com
desvelo as fontes de pesquisa, e juntar os fios do seu texto com muita clareza
e segurança, de forma que o seu livro dispensa, com certeza, qualquer forma de
apresentação.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Lavras (em português).
Longe daqui do tumulto,
lá no meio das coisas,
prostrada para o universo,
poste que existe,
Lavras é a cidade
mais bela do mundo,
pois em cada rua
nasce uma saudade
que termina no meu corpo.
JIABPAIII (em búlgaro)
Далеч от тукашната гмеж,
T там посред нещата,
проснат към всемира,
Лавраш, понеже съществува,
е най-красив град в света,
защото всяка улица
ражда един спомен
и той в мене, в тялото ми свършва.
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